Tomé Álvares, um carpinteiro algarvio nas Índias do Mar Oceano, Maria da Graça A. Mateus Ventura
«Tomé Álvares, um carpinteiro algarvio nas Índias do Mar Oceano»
Maria da Graça A. M. Ventura

Tomé Álvares, natural da cidade de Tavira, vizinho de Triana, enfermo do corpo e são da vontade, em seu perfeito juízo e entendimento, ditou um testamento, poucos dias antes de falecer, a 18 de Março de 1582, em Santiago de Guayaquil.
Nasceu no reino de Portugal, filho de Lázaro Fernandes e de Inês Martim, e emigrou para Triana, bairro de marinheiros na margem direita do Guadalquivir, frente à cidade de Sevilha, reino de Espanha. Daqui partiu para as Índias do Mar Oceano com outros algarvios e andaluzes por companheiros. Instalou-se bem longe daqui, na margem oriental do Oceano Pacífico, na cidade portuária de Guayaquil, reino do Peru.
Não sabemos a sua idade, apenas que, à data do seu testamento, os seus pais eram defuntos e não tinha filhos. Casara em Triana, segundo a ordem da Santa Madre Igreja Católica Romana, com Catalina Garcia, filha de Francisco Garcia e de Isabel Peres, naturais de Vila Nova de Portimão e vizinhos desse bairro marítimo. Tomé partiu para as Índias, Catalina ficou em Triana, com a mãe, cuidando da casa e da fazenda com a ajuda das negras que tinha ao seu serviço. O dote que levara consigo havia sido duplicado em bens pela habilidade do marido que, agora, no outro lado do mundo, falecia deixando-lhe apenas um testamento que pouco acrescentava àquilo que ficara por dizer: universal herdeira dos bens em Triana e de mais ou menos seiscentos pesos de prata corrente, cobradas as dívidas alheias e o salário de carpinteiro de ribeira do marido...

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