Sem regresso, Carmen Yáñez
«Sem regresso»
Carmen Yáñez

Eu tinha uma casa, marido, filho, pais, um pequeno jardim de ervas aromáticas, algumas árvores que davam os seus frutos, um parreiral para as tardes estivais, uma rua, uma vereda até ao sul, uma cidade dentro de um país. Um país que um dia amanheceu sombrio e hostil.
Suponho que começou ali a minha viagem, apesar de o ignorar naqueles primeiros tempos de horror. Eram os anos setenta e começava o êxodo.
Muitos procuraram embaixadas, consulados, a Nunciatura da Igreja Católica, vias clandestinas entre os caminhos das cordilheiras para partir rumo à Argentina, ou pelo norte até ao Peru e à Bolívia, ludibriando os guardas fronteiriços. Procuravam uma via rápida de fuga desesperada para fugir dos institucionalizados e recém-estreados métodos de tortura, desaparecimento e morte quase certa. Nessa tentativa, grande parte deles ficaram pelo caminho: as mãos negras da ditadura chegavam até às entreabertas portas salvadoras para alcançar as presas. Assim, a ditadura aplicava o terrorismo de Estado em nome da Doutrina da Segurança Nacional, combatendo as ideias e o pensamento livre dos agora depostos opositores ao seu regime militar...

Leia o texto integral na Revista Atlântica nº5