«Doriselma»
Fotografia de Grau Sierra Espriu e texto de Roger Sogues Marco
Doriselma tem nove anos e passa parte do seu tempo livre a brincar no interior de uma velha casa, da qual
apenas restam as paredes, correndo de um lado para o outro com os seus irmãos ou desenhando as coisas
que a rodeiam: a sua família, a sua casa ou os campos em redor, mas grande parte do seu tempo é dedicado
a ajudar a mãe nos trabalhos domésticos.
Telma é a mãe de Doriselma e dos seus três irmãos e uma irmã. Sozinha, tem a seu cargo toda a família. Desde que o marido a deixou há três anos, teve de se desenvencilhar sozinha para poder alimentar e criar os
filhos. Na comunidade onde vive, La Grandeza, no interior da Guatemala, as oportunidades de encontrar trabalho
para sobreviver eram bastante escassas e, durante algum tempo, vendeu os pêssegos que as pessoas da
aldeia lhe deixavam apanhar.
Como Telma, muitas mulheres têm dificuldades em encontrar um trabalho que as ajude a sustentar as suas
famílias. São poucas as oportunidades que surgem e são ainda menores para pessoas sem formação e com
escassos recursos para obtê-la. Muitas destas mulheres, tal como Telma, foram abandonadas à sua sorte pelos
maridos e todos os dias têm de fazer um enorme esforço para sustentarem os seus familiares.
Os filhos de Telma passaram grandes dificuldades após a saída do pai. A família teve de se mudar para um
outro sítio e construir uma pequena casa para albergar os cinco miúdos. Foram os seus filhos e a vontade de
lhes dar uma vida melhor que levaram Telma a participar no programa de produção de alimentos da ONG espanhola
Intervida, que actua na zona.
Veja a belíssima foto de Grau Serra Espriu na Atlântica nº5 |