«O retratista de corações»
Luísa Monteiro
Pareciam sempre velhos, sempre branca
a barba rala, ramela ao canto do olho
cansado de tanto azul, sentados nas areias.
Finas. Sul.
Permanentes nos seus rolos de espuma,
as ondas cantavam nas madrugadas
molhadas a saudade da ternura das mulheres
– e elas secando, secando na enxerga
do desejo: como medusas lançadas ao sol.
Tal gaivota alada, surgia então o acenar
de uma grossa e calejada mão de remo e
era a riso de feno que cheirava o mar; bafo
molhado de pão. Chegavam sem amarras,
embriagados de mar, oscilando, lembrando
que não devia tardar a manhã para
sonhar. (Amar)...
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